• Ofício: Ensaios de um poeta

    Andrew Castro

    Chiado Brasil

    Com meu peito aberto, sangro os olhos (uma carta) Nesse tempo, nada parece estar muito bem. Não, nada está bem. Só as tuas poesias – uma linha direta com a vida. Não sei se ouves, ao fundo, o barulho de sirenes, de vidros se quebrando, de gritos repentinos nas ruas. Eu estou quieto, respirando por trás de tecidos mais ou menos grossos, observando o mundo por uma tela retangular e brilhante. Essa tela não me protege dele – pelo contrário, na maior parte das vezes ela o reflete distorcidamente, fazendo das suas arestas pontas ainda mais afiadas. Mas, por sorte, muita sorte, através dela também pude ler o teu livro. "Sinto falta de mim na intensidade, No coração pulsante da manhã" Em meio a esse seara de ansiedade, o teu livro tem o efeito oposto: cada página, cada verso, é um solavanco – é um veneno antimonotonia, pra ficar numa citação que, acredito, vais gostar. Isso não quer dizer que tua poesia seja só alegre, é claro que não. Ela é pura intensidade. Pois enfrentar a vida, seguir o seu caminho com a coragem de olhar para todos os lados, para fora e para dentro, quer dizer também se conectar com tudo, alegre e triste, efusivo e desesperador. Tu não se furtas de nenhum sentimento porque sabe que ser um corpo no mundo é ser atravessado por todos eles. E que é preciso se proteger, mas também, com o peito aberto, se deixar sangrar. Eu penso, inclusive, que uma das formas de se proteger é exatamente essa: rasgar o peito e o verso. Escrever esses poemas em que quase posso sentir o teu corpo se debatendo, procurando uma maneira de estar no mundo. E encontrando, na própria página em branco, uma maneira de existir. "Demonstrar fraquezas é o nosso forte" O mais incrível é que, lendo o teu livro, eu sinto o mundo todo atravessar o meu corpo também. E fico extremamente feliz que muitos outros vão poder experimentar o universo a partir da tua voz única – ao mesmo tempo desse e de todos os tempos. E o que eu desejo ao mundo, hoje, é isso: mais Andrew. "Estilo é conseguir ouvir, não a sua voz, Mas as vozes que se tem" Com amor e saudades, Beto.
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    Páginas 158
    Peso do arquivo 1.07MB
    Ano da publicação 2020
    Tradutor(a)

    Sinopse

    Com meu peito aberto, sangro os olhos (uma carta) Nesse tempo, nada parece estar muito bem. Não, nada está bem. Só as tuas poesias – uma linha direta com a vida. Não sei se ouves, ao fundo, o barulho de sirenes, de vidros se quebrando, de gritos repentinos nas ruas. Eu estou quieto, respirando por trás de tecidos mais ou menos grossos, observando o mundo por uma tela retangular e brilhante. Essa tela não me protege dele – pelo contrário, na maior parte das vezes ela o reflete distorcidamente, fazendo das suas arestas pontas ainda mais afiadas. Mas, por sorte, muita sorte, através dela também pude ler o teu livro. "Sinto falta de mim na intensidade, No coração pulsante da manhã" Em meio a esse seara de ansiedade, o teu livro tem o efeito oposto: cada página, cada verso, é um solavanco – é um veneno antimonotonia, pra ficar numa citação que, acredito, vais gostar. Isso não quer dizer que tua poesia seja só alegre, é claro que não. Ela é pura intensidade. Pois enfrentar a vida, seguir o seu caminho com a coragem de olhar para todos os lados, para fora e para dentro, quer dizer também se conectar com tudo, alegre e triste, efusivo e desesperador. Tu não se furtas de nenhum sentimento porque sabe que ser um corpo no mundo é ser atravessado por todos eles. E que é preciso se proteger, mas também, com o peito aberto, se deixar sangrar. Eu penso, inclusive, que uma das formas de se proteger é exatamente essa: rasgar o peito e o verso. Escrever esses poemas em que quase posso sentir o teu corpo se debatendo, procurando uma maneira de estar no mundo. E encontrando, na própria página em branco, uma maneira de existir. "Demonstrar fraquezas é o nosso forte" O mais incrível é que, lendo o teu livro, eu sinto o mundo todo atravessar o meu corpo também. E fico extremamente feliz que muitos outros vão poder experimentar o universo a partir da tua voz única – ao mesmo tempo desse e de todos os tempos. E o que eu desejo ao mundo, hoje, é isso: mais Andrew. "Estilo é conseguir ouvir, não a sua voz, Mas as vozes que se tem" Com amor e saudades, Beto.

    Ficha técnica

    • Autor(a) Andrew Castro
    • Tradutor(a)
    • Gênero Poesia
    • Editora Chiado Brasil
    • Páginas 158
    • Ano 2020
    • Edição
    • Idioma Português
    • ISBN 9789895281084
    • Peso do arquivo 1.07MB