• Vala de Perus, uma biografia: como um ossário clandestino foi utilizado para esconder mais de mil vítimas da ditadura

    Camilo Vannuchi

    Alameda Casa Editorial

    Em 1990, o Brasil já estava sob a presidência do seu primeiro governo civil eleito após mais de duas décadas de Ditadura Militar. O presidente do país era um civil, mas representava muitas da forças que participaram ativamente do período de arbítrio. Assim seguia a "transição democrática", e grande parte do passado de violência e crimes dos agentes da ditadura permanecia escondido. Foi neste ano, durante a gestão da prefeita Luiza Erundina, que uma das mais importantes revelações sobre a política de perseguição, extermínio e ocultação de cadáveres pela ditadura veio à tona. Uma vala coletiva foi localizada no cemitério Dom Bosco, no bairro de Perus, na região noroeste da capital paulista. A existência da vala clandestina, sem qualquer indicação no mapa do cemitério e nos registros da prefeitura, era um dos grandes segredos da ditadura. Ali foram encontrados mais de mil sacos com ossadas de militantes políticos perseguidos pelo DOI-Codi, a terrível força paramilitar organizada pelo Estado brasileiro para perseguir opositores, e de indivíduos enterrados como indigentes, muitos deles vítimas da ação violenta de policiais e de grupos de extermínio. A descoberta da vala abria a perspectiva de localizar corpos de pessoas desaparecidas, ali enterradas de forma inapropriada, sem a menor preocupação de informar familiares e/ou amigos da morte. Esse trabalho, fundamental para garantir os direitos dos mortos e de seus familiares, no entanto, foi iniciado nos anos 1990, interrompido pouco depois e apenas recentemente foi retomado, por uma equipe de pesquisadores da Unifesp, depois de muitos anos em que a busca da verdade esbarrou em uma resistência do aparelho de Estado. Durante esses anos todos, foram identificados apenas cinco mortos enterrados ilegalmente na vala. Recontar a história dessa vala, construída em meados dos anos 1970 e que guarda um dos momentos mais sinistros da história do país, foi uma missão a que o jornalista Camilo Vannuchi dedicou-se com afinco, numa série de reportagens especiais agora organizadas em livro. O Instituto Vladimir Herzog teve a iniciativa de produzir esta pesquisa, publicar a história da vala em capítulos no portal Memórias da Ditadura e participar agora da edição deste livro, rompendo a mordaça que silenciou para a opinião pública as barbáries que a cova procurou ocultar. São esses capítulos da nossa história que recebem agora uma edição que consolida, numa narrativa de fôlego, uma trajetória infelizmente trágica, que precisa ser revertida, em nome dos direitos humanos e da democracia.
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    Páginas 178
    Peso do arquivo 3.86MB
    Ano da publicação 2021

    Sinopse

    Em 1990, o Brasil já estava sob a presidência do seu primeiro governo civil eleito após mais de duas décadas de Ditadura Militar. O presidente do país era um civil, mas representava muitas da forças que participaram ativamente do período de arbítrio. Assim seguia a "transição democrática", e grande parte do passado de violência e crimes dos agentes da ditadura permanecia escondido. Foi neste ano, durante a gestão da prefeita Luiza Erundina, que uma das mais importantes revelações sobre a política de perseguição, extermínio e ocultação de cadáveres pela ditadura veio à tona. Uma vala coletiva foi localizada no cemitério Dom Bosco, no bairro de Perus, na região noroeste da capital paulista. A existência da vala clandestina, sem qualquer indicação no mapa do cemitério e nos registros da prefeitura, era um dos grandes segredos da ditadura. Ali foram encontrados mais de mil sacos com ossadas de militantes políticos perseguidos pelo DOI-Codi, a terrível força paramilitar organizada pelo Estado brasileiro para perseguir opositores, e de indivíduos enterrados como indigentes, muitos deles vítimas da ação violenta de policiais e de grupos de extermínio. A descoberta da vala abria a perspectiva de localizar corpos de pessoas desaparecidas, ali enterradas de forma inapropriada, sem a menor preocupação de informar familiares e/ou amigos da morte. Esse trabalho, fundamental para garantir os direitos dos mortos e de seus familiares, no entanto, foi iniciado nos anos 1990, interrompido pouco depois e apenas recentemente foi retomado, por uma equipe de pesquisadores da Unifesp, depois de muitos anos em que a busca da verdade esbarrou em uma resistência do aparelho de Estado. Durante esses anos todos, foram identificados apenas cinco mortos enterrados ilegalmente na vala. Recontar a história dessa vala, construída em meados dos anos 1970 e que guarda um dos momentos mais sinistros da história do país, foi uma missão a que o jornalista Camilo Vannuchi dedicou-se com afinco, numa série de reportagens especiais agora organizadas em livro. O Instituto Vladimir Herzog teve a iniciativa de produzir esta pesquisa, publicar a história da vala em capítulos no portal Memórias da Ditadura e participar agora da edição deste livro, rompendo a mordaça que silenciou para a opinião pública as barbáries que a cova procurou ocultar. São esses capítulos da nossa história que recebem agora uma edição que consolida, numa narrativa de fôlego, uma trajetória infelizmente trágica, que precisa ser revertida, em nome dos direitos humanos e da democracia.
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    Ficha técnica

    • Autor(a) Camilo Vannuchi
    • Tradutor(a)
    • Gênero História Moderna
    • Editora Alameda Casa Editorial
    • Páginas 178
    • Ano 2021
    • Edição
    • Idioma Português
    • ISBN 9786559660506
    • Peso do arquivo 3.86MB